Trim Trim Trim – O meu despertador tocava freneticamente em cima do criado-mudo. Eram cinco e meia.
Olhei pela janela, havia um caminhão de mudanças na casa ao lado. Ótimo, teremos vizinhos. – pensei, vendo as caixas sendo levadas para dentro da casa, não me deixei distrair. Para não me atrasar, direcionei-me para o banheiro e despi-me lentamente. O único mal de acordar cedo é a lerdeza, parecemos àqueles velhinhos que vão atravessar a rua. Duzentos anos depois eles chegam à outra ponta. Deixei meus devaneios de lado e fui tomar meu banho. Arrumei-me e fiz uma leve maquiagem, para me desfazer da cara de lerda.
O outro despertador toca; seis horas em ponto. Deixo meus longos cabelos soltos e desço as escadas já com uniforme completo, tomo café que já está pronto na mesa, comi bem pouco, mas bem lentamente. Acho que a lerdeza estava me dominando hoje. O despertador da mesa da cozinha toca; seis e meia. Subi escovei os dentes, separei as coisas para levar na mochila. O despertador ao lado da pia do banheiro toca; seis e cinquenta. Pego a mochila em cima da cama desço correndo e entro no carro que me espera.
– Oi Harry. – falei com o motorista que me respondeu com um bom dia. Pego o celular na mochila e coloco o despertador da hora da saída. – Me buscar meio dia e vinte cinco. Ok Harry? – disse pra ele quando parou na frente da escola. Pego os comprimidos na minha mochila e tomo. Remédios de emagrecer. Odeio isso.
– Tudo bem, Srta. Dare.
Entrei correndo no colégio e quando coloquei os pés na sala o sino tocou. Dou um leve sorriso, viro-me para a primeira cadeira da fila do meio, coloco minha mochila e me sento. O professor entra e começa a aula. Passaram-me um bilhete. Eu o abri e li:
“Sua perfeição...
Vamos a um restaurante hoje? Às 20:30?
Julia.”
Peguei minha caneta escrevi:
“Vemos isso na hora do intervalo.”
Entreguei o bilhete de volta. Meu estomago embrulhou, senti uma forte repuxada. Efeitos do remédio.
– Srta. Dare. – o professor chamou minha atenção.
– Professor se importa de eu sair, acho que vou vomitar. – eu disse pondo a mão na boca.
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